February, 2009


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Feb 09

O melhor dos mundos possíveis.

Todo publicitário tem alma de artista. Uma alma otimista que transforma a nossa sociedade de consumo em algo consumível e mais saborosa do que seria sem a publicidade. Em um anúncio tudo é possível, pois todo anúncio é sonho. Mas um sonho que sonhamos juntos. De ficar mais amigos, mais bonitos, mais cheirosos, mais inteligentes e mais ricos. Mais universais e menos provincianos. E por mais paradoxal que pareça, a publicidade é a única forma de comunicação que distribui a arte, os símbolos e significados que compartilhamos enquanto humanidade, para todos. Como se fôssemos todos iguais de fato e de direito. E os anunciantes? Os anunciantes são mecenas modernos que custeiam as obras de nossos michelangelos e seus softwares gráficos, nossos drummonds e seus words. É a publicidade que nos diz que a vida pode ser boa, sustenta o jornalismo mundial e o entretenimento público, torna a liberdade da internet uma realidade lucrativa, inventa as regras de expressão que incentivam a indústria, o comércio e transformam o mundo transformando o ser humano, cada vez mais consumidor de bens que de males. Graças à publicidade, podemos lutar contra a propaganda que nos prejudica com a propaganda que nos beneficia. E a gente tem do que se orgulhar. Nós, publicitários, somos mais importantes do que achamos ser. Só precisamos passar a comprar o que vendemos. A idéia de que o melhor dos mundos possíveis… é possível.

Graças a nós.

Hoje é 1º de fevereiro (e não 1º de abril).

Feliz Dia do Publicitário.


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Feb 09

Open happiness e mais um monte de comerciais.

adblit

http://br.youtube.com/adblitz


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Feb 09

Mesmo sendo uma campanha pejorativa, ajuda.

Neogama explora ateísmo em anúncio para ABAP

26/01/09

comuou2s

Para fomentar a atividade publicitária em meio à crise, a NEOGAMA/BBH criou polêmico anúncio assinado pela ABAP – Associação Brasileira de Agências de Publicidade. Criada por Alexandre Gama, com direção de arte de Márcio Ribas, a ação foi oferecida proativamente à Danton Pastore, presidente da entidade, que gostou tanto da idéia que resolveu transformar a iniciativa numa campanha de alcance nacional. Composta de anúncio de página simples e dupla para jornais e revistas, e-mail marketing e mala-direta, a peça explora de maneira bem-humorada o ateísmo para mostrar a força da propaganda. Nas peças são mostradas uma notícia veiculada no início de janeiro sobre uma associação de ateus na Grã-Bretanha – que fez uma campanha em ônibus para promover o ateísmo com o slogan: “Provavelmente Deus não existe. Agora, pare de se preocupar e desfrute de sua vida” – e o título: “Até quem não acredita em nada, acredita em propaganda”. A campanha está sendo veiculada a partir dessa semana nacionalmente em publicações que estão cedendo gratuitamente espaços à Abap.

http://www.adnews.com.br/publicidade.php?id=83015

Explicação

A campanha da Neogama/Abap é pejorativa, porque confunde ateísmo agnóstico com niilismo. O que não deixa de ser um sintoma da necessidade do esclarecimento público. O interessante é a repercussão.


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Feb 09

Mais difícil que combater a religiosidade ignorante é a ignorância que a sustenta.

Não me Lembo de uma bobagem tão grande!!!

Segunda, 2 de fevereiro de 2009, 08h01

Explosão de soberba

Cláudio Lembo
De São Paulo

Paira um espectro sobre a Europa. Não é o espectro do comunismo. Fere um dos mais profundos sentimentos do Ocidente. A crença em Deus. Em países, antes arraigadamente católicos, estende-se a onda do ateísmo. Não se trata de manifestações individuais. Ao contrário, formam-se coletivos para o exercício de ativa militância contra o divino. Campanhas publicitárias se desenvolvem. Nas laterais dos ônibus da cidade de Barcelona, cartazes refletem esta situação. Dizem: Provavelmente, Deus não existe. Viva e goze a vida. A iniciativa tende a se estender a outras cidades da Espanha. A autoria dos dizeres é de uma associação de ateus e livres pensadores. Houve resposta. Apareceram faixas em oposição: Você verá, quando tudo fracassar, restará Deus. O fenômeno não se restringe ao espaço ibérico. No leste europeu existem países com alto percentual de pessoas que se declaram ateus. Mais de setenta por cento na Hungria. Os franceses são autores de uma extensa bibliografia. Um combate contínuo contra a figura de Deus. Certamente, originário do pensamento iluminista. O iluminismo, como posteriormente o marxismo, pretendeu colocar o homem no centro do universo, concebendo um humanismo materialista. Este, em seus primórdios, exercia grande influência entre os intelectuais. Com o passar dos séculos e o surgimento do consumismo sem limites, o ateísmo ingressou na consciência das pessoas comuns. Os valores religiosos foram substituídos por um hedonismo selvagem. Vale consumir e aparecer. Não importa qualquer aproximação com o Superior. Daí um passo para a negação de Deus. Antes o agnosticismo e em seguida uma posição expressa de contestação. Os ateus não querem aceitar uma figura além da História. Desejam ser senhores de suas trajetórias, sem qualquer intromissão externa. Querem ser deuses individuais. De há muito, os não-crentes passaram a preocupar os membros das religiões monoteístas. Ordens religiosas católicas apontam para a presença do ateísmo nas universidades da Ásia, África e América Latina. Aqui, segundo estas fontes, a motivação seria diversa da existente nas sociedades afluentes. Um novo aspecto é apontado. A presença da injustiça como um fator de descrença. Exatamente isto: a injustiça presente em todos os desvãos das sociedades latino-americanas leva a juventude a descrer. Encontrar, nas imensas diferenças sociais, motivo de não-crença. Nota-se, pois, o encontro de duas vertentes nos países latino-americanos. Aquela que leva ao materialismo pelo excesso de consumo e de benesses e a outra que aponta para a carência dos bens mínimos para a sobrevivência. Caro que estas posições de ponta não atingem todos os países de igual maneira. Graças às raízes africana, indígena e portuguesa, no Brasil existe um misticismo disperso. Este atinge todas as camadas da sociedade. A crença no divino é inerente à formação brasileira. Com um traço específico. Os cultos de origem africana e indígena possuem um forte contingente panteísta. Este nem sempre é percebido, em virtude do sincretismo religioso oriundo dos tempos das práticas escravagistas. O que se assemelhava aos rituais cristãos continha as práticas dos cultos dos ancestrais. A natureza é traço marcante destes cultos. Ela se mostra por inteiro na forma de viver dos brasileiros. Convivem com natureza em seus vários aspectos. A exibição desinibida dos corpos é um deles. Pode-se adiantar que a militância dos não-crentes não terá êxito entre os brasileiros. É própria de povos frustrados e deprimidos. No entanto, não se deve esquecer que a divindade, por aqui, tem um traço panteísta. Como praticada na Europa, a descrença pode conduzir a um niilismo sem igual. A perda de referências leva as pessoas a um individualismo sem precedentes. A um mundo sem valores e propício à prática de quaisquer atos. A crise financeira dos países centrais, certamente, tem grande parcela deste individualismo contemporâneo. Alarmantemente sem valores.

Cláudio Lembo é advogado e professor universitário. Foi vice-governador do Estado de São Paulo de 2003 a março de 2006, quando assumiu como governador.

Fale com Cláudio Lembo: claudio.lembo@terra.com.br

Terra Magazine

Mordaz comenta:

Lembo está meio atrasado no tempo emocional e histórico. A revolução francesa ocorreu na Europa no século XVIII e foi o maior impulsionador do pensamento ocidental moderno. Os princípios de igualdade, fraternidade e humanidade. Até esta época o que vigorava era a monarquia sustentada em Deus (pelos papas) e as guerras de origem religiosas entre Huguenotes, protestantes, católicos, calvinistas e judeus. Não se pode chamar a idade das trevas, sob o domínio do catolicismo, as cruzadas ou a inquisição, como épocas boas para a humanidade, para o combate da pobreza, escravidão ou servidão humana. Principalmente para os povos africanos escravizados por católicos trazidos ao Brasil e os povos ameríndios dizimados em nome de Deus para trabalharem de escravos para os católicos  nas Américas. Sentiram na carne a necessidade do Deus que Lembo acha essencial para a brasilidade. Atribuir aos ateus a crise nos mercados financeiros, Sr Lembo? Em 1929 foi atribuída aos judeus da Europa para justificar a perseguição aos mesmos. Bush ser considerado um presidente ateu é só de uma mentalidade infantil e preconceituosa.


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Feb 09

The holodeck is real.

Holodeck easyweb


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Feb 09

Just a song about interesting ideas.


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Feb 09

Assim falou o mestre.

oliv

Soa o gongo.

Washington Olivetto

No final de 1998, eu e Patrícia, minha mulher, passamos o Natal e o réveillon no sul da França. Certa noite, resolvemos jantar no histórico Colombe D’Or, em Saint Paul de Vence. Estávamos esperando nossa mesa no bar, quando, de repente, entrou um negro enorme vestindo um casaco de visom (ou mink) até os pés, acompanhado de uma mulata belíssima repleta de jóias e mais dois casais de amigos com jeitão de craques da NBA ou de rappers milionários. Pediram Champagne Cristal e começaram os brindes.
Na mesma hora, olhei para Patrícia e disse: “Tá vendo aquele fortão de casaco de pele? É o Evander Holyfield, campeão mundial dos pesos pesados de boxe. Na próxima luta, ele vai apanhar feito louco.”

Patrícia não entendeu nada. Como ele ia apanhar se era o grande campeão? E eu expliquei a ela que era praticamente impossível, levando aquele estilo de vida, regado ao mais caro dos champagnes, ele ter vontade e disposição para acordar no outro dia às 6 da manhã, correr uns 18 quilômetros e passar horas pulando corda, dando porradas num saco de areia e trocando socos com um sparring no mínimo do tamanho dele e ainda por cima todo transpirado.

Minha previsão estava certa: três meses depois, no dia 13 de março de 1999, Holyfield perdeu feio para o até então inexpressivo Lennox Lewis e demorou anos para se recuperar.

Lembrei dessa história tentando fazer uma reflexão a respeito da crise criativa e negocial da propaganda mundial. Uma das características em comum dos grandes nomes da publicidade mundial residiu durante anos no fato de a maioria absoluta ter vindo da classe média. Bem média.

Só para citar dois do Hall da Fama norte-americano: Ed McCabe foi trabalhar como office-boy na McCann de Chicago aos 15 anos de idade para contribuir com o orçamento familiar; George Lois era filho de um humilde florista grego.

No Hall da Fama brasileiro, o fato se repete:
Alex Periscinoto chegou a ser operário na adolescência e os DPZ imigraram de Mato Grosso e da Catalunha, também vindos de origem humilde.

Nomes como esses, tanto lá quanto cá, profissionalizaram e deram dignidade e prestígio à atividade publicitária. Permitindo que, nos anos 70, os profissionais iniciantes — como eu (filho de um vendedor de pincéis) — encontrassem uma situação extremamente favorável para desenvolverem suas carreiras.

Filhos da classe média têm uma proximidade com os menos favorecidos e o sonho de se transformarem em bem-sucedidos. Relacionam-se com facilidade com os dois universos, sem se desvencilharem do seu universo próprio, o que, para um adequador de linguagem (essa é a nossa atividade), é absolutamente fundamental.

Minha geração, graças ao caminho bem pavimentado pelos pioneiros, fez um bom trabalho.
Colocou a propaganda brasileira (e isso aconteceu também em outros países) num patamar de qualidade superior, mas, por outro lado, um pouco por querer, um pouco sem querer, colocou a atividade exageradamente na moda.

Assim, a publicidade se transformou numa profissão muito ambicionada, mas, lamentavelmente, a idéia saudável do “faça um bom trabalho e, assim, seja bem-sucedido e famoso” começou a ser substituída pela idéia doente do “fique famoso e, assim, consiga um bom trabalho”.

Começaram as concessões negociais, a predação, a busca de conquistar clientes a qualquer custo e a conseqüente desvalorização do negócio. Um certo pseudo-elitismo invadiu a profissão, e até mesmo as melhorias tecnológicas, que são ótimas e nos permitem expressar com perfeição e brilhantismo os bons conteúdos, começaram a ser utilizadas de maneira errônea, para esconder ou mascarar a falta de conteúdo.

Muitos publicitários passaram a se relacionar apenas com a publicidade e com outros publicitários,  esquecendo a vida real — que é de onde a verdadeira publicidade de qualidade é extraída.

Isso explica a existência de poucas campanhas verdadeiramente memoráveis nos dias de hoje, campanhas que sejam repetidas, admiradas nos lares e nas ruas, daquelas que transformam o consumidor na melhor e mais crível das mídias: a mídia gratuita.

Tempos atrás, conversando com o inglês David Abott, outro ícone da geração anterior à minha, ele manifestava uma preocupação digna de quem ama a profissão mais até do que o dinheiro que pode,  merecidamente, ganhar com ela. David dizia que estava espantado com o número de profissionais estrangeiros, particularmente sul-americanos (alguns, aliás, bastante bons), que se propunham a trabalhar na Inglaterra (pelo status que representa trabalhar na Inglaterra) por salários infinitamente menores do que os dos profissionais locais. David, em vez de encarar o fato como um benefício para os donos de agência e anunciantes, se preocupava com o início de um processo predatório que, se consumado, poderia levar anos para ser revertido.

A ilusão inicial da baixa dos custos, a filosofia “mesa-de-compras” e seus congêneres, acaba  irreversivelmente interferindo na qualidade do produto final. E o todo do negócio — seja do ponto de vista das agências, seja do ponto de vista dos anunciantes — acaba sendo prejudicado.

Não quero me posicionar como dono da verdade: escrevi este texto como se estivesse pensando em voz alta e venho refletindo sobre isso já faz tempo, bem antes da crise mundial que agora ocorre sem diagnósticos e prognósticos claros. De uma única coisa apenas tenho certeza: tanto a propaganda brasileira quanto a mundial estão precisando de um pouco de sangue velho — ou de sangue nos olhos, como dizem os boxeadores campeões. Não importa a idade cronológica dos portadores desse sangue, e seria particularmente ótimo se a maioria deles fosse formada pelos mais jovens. Acho que só assim poderemos evitar novos reveses e nocautes.

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