January, 2009


7
Jan 09

As pessoas são movidas pelas circunstâncias e não por tipologias.

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Quem você pensa que é?

Horoscopias, signos e sinastrias, eneagramas, numerologias, testes vocacionais, gurulogias e psicologias da moda não descrevem ou interferem em comportamento algum. Quando muito, apenas ilustram coincidências de ações ou justificam omissões. Todas as pessoas são múltiplas e se caracterizam de si mesmas ou do que acham de si mesmas de acordo com cada situação. Nossas personalidades se repetem apenas porque nossas rotinas se repetem dia após dia. Somos as mesmas pessoas apenas com as mesmas pessoas de sempre porque isso nos torna socialmente normais. Por isso muitas vezes os suaves e tímidos diante de poderosos se tornam tiranos – e extrovertidos diante de iguais ou menos afortunados, as ninfomaníacas se tornam santas se lhes convêm e vice-versa. A personalidade constante é apenas uma resposta instintiva à sobrevivência em grupo. E somos diferentes em cada grupo a que pertencemos. Só que esta constância nos envelhece e nos estupidifica. E sem demagogias, apenas ações e comportamentos podem ser tipificados, jamais pessoas. Você pode ser um canceriano judeu sagitariano cristão realizador cobra e integrado, tudo ao mesmo tempo – ou não – depende do que o ambiente exige de você em confronto com sua química interna, status, sua genética moral, física e necessidade fisiológica do momento. Você é hoje apenas um momento da sua história, e a única relação causal entre seu passado e seu futuro é seu acordo que essa relação exista. Nenhum teste vocacional é você, nenhum diagnóstico médico alternativo é você, nenhum censo. Aceitamos essas personalidades podadas que nos oferecem de acordo com nossa origem social e tipo físico como uniformes de segurança contra a solidão e a consciência da morte. E ninguém nos julga pelo que somos, mas pelo que acham que somos. E prisioneiros somos apenas se aceitamos essa condição. Classificações de personalidade com aparência científica, seja pelas considerações estatísticas, seja pela fama livresca ou televisa de seus realizadores valem tanto quanto astrologias referendadas por espíritas hepaticamente alterados. Pense. Sete bilhões de seres humanos no mundo – uma pequena parte das quase infinitas combinações possíveis de DNA, cultura e experiência – não se reduzem a meia ou uma dúzia de tipos de pessoas. Fuja da prescrição, aposte no acaso. Só conhece a liberdade quem ousa criar a si mesmo se livrando de seus outros internalizados. Não é fácil, mas é divertido quando feito com inteligência e cultura. Invente-se para ocupar mais espaços novos e assim vai se preocupar menos com espaços ocupados.


28
Jan 09

Não nascemos prontos.

Mário Sérgio  Cortella

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30
Jan 09

Pra entender a Mais Valia Marxiana.

Achei o texto abaixo na internet. Desconheço o autor. Reproduzo por que realmente é uma das mais claras explicações sobre a Mais Valia que já encontrei. E Mais Valia é coisa que tem de ser compreendida.

librisimpson

O que é Mais Valia?

O conceito de mais-valia é um conceito-chave. Através dele podemos explicar, de forma científica e rigorosa, a exploração capitalista e, assim, vislumbrar o que é necessário para suprimi-la.

O operário só possui sua força de trabalho. Ele a oferece como mercadoria ao burguês (dono dos meios de produção), que a compra por uma determinada quantia em dinheiro (salário) para fazê-lo trabalhar durante um certo período de tempo; 8 horas por dia, por exemplo. A partir do momento em que a compra, a força de trabalho do operário passa a pertencer ao burguês, que dispõe dela como quiser.

O custo de manutenção da força de trabalho (operário, maquinas) constitui seu valor; a mais-valia é a diferença entre o valor produzido pela força de trabalho e o custo de sua manutenção.

Para ficar mais fácil de entender, vamos estudar um exemplo. Suponhamos que um operário seja contratado para trabalhar 8 horas por dia numa fábrica de motocicletas. O patrão lhe paga 16 reais por dia, ou seja, 2 reais por hora, o operário produz duas motos por mês. O patrão vende cada moto por 3883 reais. Deste dinheiro, ele desconta o que gasta com matéria-prima, desgaste de máquinas, energia elétrica, etc.; exagerando bastante, vamos supor que esses gastos somem 2912 reais. Logo, sobram de lucro para o patrão 971 reais por moto vendida (3881 menos 2912 é igual a 971). Se o operário produz duas motos por mês, ele produz, na verdade 1942 reais por mês (2×971). Se, num mês, ele trabalhar 240 horas, produzirá 8,1 reais por hora (1942 dividido por 240 horas). Portanto, em 8 horas de trabalho ele produz 64,8 reais (8,1×8) e ganha 16 reais. A mais-valia é exatamente o valor que o operário cria além do valor de sua força de trabalho. Se sua força de trabalho vale 16 reais e ele cria 64,8, a mais-valia que ele dá ao patrão é de 48,8 reais. Ou seja, o operário trabalha a maior parte do tempo de graça para o patrão! Para saber quanto, basta fazer uma regra de três simples:

64,8—8h.
16— X
16 vezes 8 dividido por 64,8 é igual a 2h e 6m

Conclusão

Das oito horas que o operário trabalha, ele só recebe 2 horas e seis minutos. O resto do tempo ele trabalha de graça para o capitalista. Esse valor que o patrão embolsa é o trabalho não pago.

Ao patrão o que interessa é o aumento constante da mais-valia porque assim seus lucros também aumentam. Para fazer isso, o capitalista usa algumas formas básicas: aumentando ao máximo a jornada de trabalho (“mais-valia absoluta”), de modo que depois do operário ter produzido o valor equivalente ao de sua força de trabalho, possa continuar trabalhando muito tempo mais; esta forma de obter maior quantidade de mais-valia é muito conveniente ao capitalista porque ele não aumenta seus gastos nem em máquinas nem em locais e consegue um rendimento muito maior da força de trabalho. Era o método mais utilizado no começo do capitalismo. Mas não se pode prolongar indefinidamente a jornada de trabalho. Existem limites para isso:

Limites físicos – porque se o operário trabalha durante muito tempo, não pode descansar o suficiente que dê para refazer sua força de trabalho na forma devida irá produzindo um esgotamento intensivo, logo, uma baixa no rendimento, o que não interessa ao patrão.

Limites históricos – porque à medida que o capitalismo foi se desenvolvendo, a classe operária também se desenvolveu, se organizou e começou a lutar contra a exploração capitalista. Através de árduas lutas a classe operária foi conseguindo reduzir a jornada de trabalho, obrigando o capitalista a buscar outras medidas para aumentar a mais-valia. Então, para isso, o patrão teve de lançar mão de outras formas para fazer com que o operário produzisse mais, reduzindo o tempo de trabalho necessário (“mais-valia relativa”), sem reduzir a jornada de trabalho: introduzindo máquinas mais modernas, incentivando a produtividade, etc.

O fim da exploração capitalista exige o fim da propriedade e do controle privado dos meios de produção e a abolição do direito de herdá-los. Ao eliminar a propriedade privada dos meios de produção, eliminamos o antagonismo de classes e abrimos caminho para o fim de toda exploração. Socializando assim entre os que produzem as riquezas que são produzidas.

Mais Valia absoluta e relativa

Marx chama a atenção para o fato de que os capitalistas, uma vez pago o salário de mercado pelo uso da força de trabalho, podem lançar mão de duas estratégias para ampliar sua taxa de lucro: estender a duração da jornada de trabalho mantendo o salário constante – o que ele chama de mais-valia absoluta; ou ampliar a produtividade física do trabalho pela via da mecanização – o que ele chama de mais-valia relativa. Em fazendo esta distinção, Marx rompe com a idéia ricardiana do lucro como “resíduo” e percebe a possibilidade de os capitalistas ampliarem autonomamente suas taxas de lucro sem dependerem dos custos de simples reprodução física da mão-de-obra.


1
Jan 09

E o mundo não acabou, ainda.

Nostradamus

Eduardo Dussek

Naquela manhã, eu acordei tarde, de bode. Com tudo que sei, acendi uma vela, abri a janela e pasmei. Alguns edifícios explodiam, pessoas corriam. Eu disse bom dia. Ignorei. Telefonei pr’um toque tenha qualquer. E não tinha. Ninguém respondeu. Eu disse: “Deus, Nostradamus. Forças do bem e da maldade. Vudoo, calamidade, juízo final. Então és tu?” De repente na minha frente a esquadria de alumínio caiu junto com vidro fumê. O que fazer? Tudo ruiu. Começou tudo a carcomer. Gritei, ninguém ouviu E olha que eu ainda fiz psiu! O dia ficou noite. O sol foi pro além. Eu preciso de alguém. Vou até a cozinha. Encontro Carlota, a cozinheira, morta. Diante do meu pé, Zé. Eu falei, eu gritei, eu implorei: “Levanta e serve um café que o mundo acabou!”


1
Jan 09

Tim Minchin, o Eduardo Dussek australiano do século XXI. Improved and updated.

If You Open Your Mind Too Much, Your Brains Will Fall Out

If anyone can show me one example in the history of the world of a single Psychic who has been able to prove under reasonable experimental conditions that they are able to read minds and if anyone can show me one example in the history of the world of a single astrologer who has been able to prove under reasonable experimental conditions that they can predict events by interpreting celestial signs.
And if anyone can show me one example in the history of the world of a single homeopathic practitioner who has been able to prove under reasonable experimental conditions that solutions made of infinitely tiny particles of good stuff dissolved repeatedly into relatively huge quantities of water has a consistently higher medicinal value than a similarly administered placebo. And if anyone can show me just one example in the history of the world of a single spiritual or religious person who has been able to prove either logically or empirically the existence of a higher power that has any consciousness or interest in the human race or ability to punish or reward humans for there moral choices or that there is any reason – other than fear – to believe in any version of an afterlife. I’ll give you my piano, one of my legs, and my wife.


2
Jan 09

Where the Heaven is Matt?

Enfim, um vídeo com cara de ano novo.


3
Jan 09

A vida ao contrário e a perfeita Cate Blanchett.

benjaminbuttonO que mais me chamou à atenção no filme The Curious Case of Benjamin Button foi uma atriz de quarenta anos fazer o papel de uma jovem com 20 anos. Por mais maquiagem, dublês de corpo e AfterEffects que tenham usado, fiquei impressionado com Cate Blanchett. A história é a do trailer, Benjamin nasce velho e vai rejuvenescendo com o tempo. Embora tenha sido baseado num conto de 1921 escrito por F. Scott Fitzgerald, [leia aqui], é bem aquilo que Chico Anísio usou para encerrar o Fantástico dos anos 80 com um texto de Sean Morey, adaptado pelo roteirista Marcos César. Nos spams e blogs espalhados por aí o texto é atribuído a Chaplin ou a Carlin, você já deve ter lido:

“A coisa mais injusta sobre a vida é a maneira como ela termina. Eu acho que o verdadeiro ciclo da vida está todo de trás pra frente. Nós deveríamos morrer primeiro, nos livrar logo disso. Daí viver num asilo, até ser chutado pra fora de lá por estar muito novo. Ganhar um relógio de ouro e ir trabalhar. Então você trabalha 40 anos até ficar novo o bastante pra poder aproveitar sua aposentadoria. Aí você curte tudo, bebe bastante álcool, faz festas e se prepara pra faculdade. Você vai pro colégio, tem várias namoradas, vira criança, não tem nenhuma responsabilidade, se torna um bebezinho de colo, volta pro útero da mãe, passa seus últimos nove meses de vida flutuando… E termina tudo com um ótimo orgasmo!!! Não seria perfeito?”

O texto original é este:

“The most unfair thing about life is the way it ends. I mean, life is tough. It takes up a lot of your time. And what do you get at the end of it? A death. What’s that, a bonus? I think the life cycle is all backwards. You should die first, get it out of the way. Then you live in an old age home. You get kicked out when you’re too young, you get a gold watch, then you got to work. You work forty years until you’re young enough to enjoy your retirement. You do drugs, alcohol, you party, get laid, you get ready for high school. You go to grade school, you become a kid, you play, you have no responsibilities, you become a little baby, you go back into the womb, you spend your last nine months floating in warm liquid . . . and you check out as a gleam in somebody’s eye!”

Sean Morey

A pesquisa pelo autor real foi realizada pela Miriam, especialista em achar autorias desconhecidas. Veja aqui, junto com outras descobertas de quem escreveu o que – de verdade. Enfim, o que o Chico leu no Fantástico é este aqui, bem mais lírico:

Eu acho que o ideal seria que as pessoas nascessem velhas e morressem crianças. O homem nasceria com 90 anos, ia ficando mais moço, mais moço, até morrer de infância. Nascendo com 90 anos, você aos 65 se casaria com uma mulher de 59, mas e a recompensa? A cada dia, a cada semana, a cada mês, ela ia ficando mais nova, mais nova, até se transformar numa gata de 20. Entendeu? E, depois do casamento, vocês dois ficariam noivos, seriam namorados, até chegar ao amor infantil, branco e desinteressado… mãos dadas… (no máximo) e apagando das árvores, os corações entrelaçados. Você nasceria rico, aposentado e sábio. Começaria a ganhar cada vez menos… até entrar para a Faculdade para ir desaprendendo tudo e ir ficando mais ingênuo e mais puro. Depois a bicicleta, o velocípede, desaprenderia a andar, esqueceria como engatinhar, o voador, o cercadinho… do cercadinho pro berço, as fraldinhas molhadas, três gotas de Otalgan para a maldita dor de ouvido, o chá de erva doce para a dorzinha de barriga…a mamadeira de água, o peito da mãe e, num dia qualquer, pararia de chorar. Com o tempo correndo para trás, a humanidade regrediria nos séculos até aparecer o último homem: Adão. Último-primeiro quando então, pegando-o na mão, ao invés de soprar sobre ele Deus inspiraria o homem outra vez para dentro de si mesmo.

Ah, claro, o filme é bom sim. Assista.

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