Legal de ouvir e ver o sincretismo musical, lembra o som que virou moda Nos Tempos da Jovem Guarda. Avós, pais e netos vão compartilhar o mesmo som. Mais um pouco a Pitty tá regravando Vanusa.
Mulheres
4
Oct 08
Um pouco de bundas pra este blog dar mais às caras.
A sociedade das bundas redondas
O texto campeão de audiência do antigo blog.
Já morei e vivi (literalmente) uns anos em Florianópolis, na famosa Ilha da Magia. Passei alguns verões lá e todos os meses frios entre um e outro, sem turistas nas praias. Descobri algo interessante. As mais belas bundas na praia eram de turistas mineiras. Não quero exagerar e nem tenho provas estatísticas além da minha própria experiência “in loco”. Mas a mistura café com leite do sudeste brasileiro é a referência estética da mulher nacional em nível internacional. Sem as turistas do sudeste, o sul do Brasil é povoado de mulheres sem bundas redondas, mas com grandes peitos e largos quadris. Apreciáveis na vinda e na ida, mas de perfis tímidos. Pergunte ao John Casablancas, o entrevistado da Veja, ele disse que a Gisele Bundchen não tem bunda mas eu não concordo. Ela se destaca justamente porque tem uma bundinha bem feita, pequena, mas bem feita. Voltando ao assunto sem sair dele, para mim foi um choque visual-cutural radical. Ao chegar em Minas Gerais, eu olhava entusiasmado as moças bundudas pra lá e pra cá, bonitas na vinda, lindas de perfil e maravilhosas na ida. Foi como a experiência do cego ao ver pela primeira vez as cores da realidade. Tal qual um monge iluminado encarei a luz: a beleza da mulher está na bunda! A verdade é que Vinicius queria dizer mesmo que “as sem bunda que me perdoem, mas uma bunda redonda é fundamental”. O sentimento mais puro e masculino de felicidade é olhar, ou melhor, contemplar uma bunda feminina perfeita. Qualquer coisa além do olhar é um êxtase, um sonho que se realiza. Fetiche para alguns não brasileiros, religião para os nascidos e criados aqui entre nós. Bunda destacada a partir de uma cintura fina e marcada com um fio dental é sinônimo de mulher bonita, olhamos o rosto depois e aceitamos suas imperfeições desde que o bumbum seja lindo. Quem vê bunda, não vê coração. Mas quem quer ver coração? Com certeza, os peitos, desde que não maiores que as bundas. Bundas perfeitas garantem e destróem casamentos, vendem música, entretenimento, cerveja, saúde, status etc. Matriz psico-social da beleza brasileira, toda bunda redonda garante satisfação antecipada, fruição desmesurada, esperança descarada em prazeres indizíveis. Não há Brasil de verdade sem bundas redondas nas ruas, praças e festas.
Alguns querem proibir cartazes publicitários com bundas para atrair turistas, querem proibir bundas em anúncios de cerveja. Proibir bundas é proibir o Brasil de se mostrar como é, uma grande bunda redonda deitada eternamente em berço esplêndido. E se você imaginou que isso seria uma fraqueza, engana-se. Não se tentam proibir fraquezas, apenas perigos. Pois a imagem de uma bunda redonda e bonita não tem nada a ver com fraqueza, nem passividade. Tem a ver com o mais puro poder da espécie humana, o poder da beleza (e da reprodução dela). A nação brasileira é gostosa e bonita como uma bunda perfeita. Nascemos de bunda virada pra lua. E o mundo inteiro olha as bundas da amazônia e as bundas do cerrado com água na boca. A bunda é um simbolo nacional, igual a bandeira, o hino, a seleção que por pouco deixa de ser nossa pra ser da Nike, mas ainda é nossa. “Brasil, mostra sua bunda” é um ato muito mais corajoso que “Brasil, mostra sua cara”. Pense bem, chamar alguém de cara de bunda no Brasil devia ser elogio, é o mesmo que dizer que é muito atraente e bonito, pois na realidade não existe bunda feia, apenas bunda que não existe entre as costas e as pernas, alguma coisa que no máximo daria pra chamar de glúteos. Então, da próxima vez que lhe chamarem de bundão, sorria e agradeça. Afinal, todos os bundões estão no poder e têm suas bundonas e bundudonas garantidas na constituição. É um desbunde de abundância. Né, bundão?
Veja o poema que Carlos Drumond fez:
A bunda, que engraçada.
Está sempre sorrindo, nunca é trágica
Não lhe importa o que vai
pela frente do corpo. A bunda basta-se.
Existe algo mais? Talvez os seios.
Ora – murmura a bunda – esses garotos
ainda lhes falta muito que estudar.
A bunda são duas luas gêmeas
em rotundo meneio. Anda por si
na cadência mimosa, no milagre
de ser duas em uma, plenamente.
A bunda se diverte
por conta própria. E ama.
Na cama agita-se. Montanhas
avolumam-se, descem. Ondas batendo
numa praia infinita.
Lá vai sorrindo a bunda. Vai feliz
na carícia de ser e balançar.
Esferas harmoniosas sobre o caos.
A bunda é a bunda,
redunda.
8
Dec 08
Sobre trazer a vida de volta.
Entrevista com Rosiska Darcy de Oliveira no Programa Provocações da TV Cultura.
3
Jan 09
A vida ao contrário e a perfeita Cate Blanchett.
O que mais me chamou à atenção no filme The Curious Case of Benjamin Button foi uma atriz de quarenta anos fazer o papel de uma jovem com 20 anos. Por mais maquiagem, dublês de corpo e AfterEffects que tenham usado, fiquei impressionado com Cate Blanchett. A história é a do trailer, Benjamin nasce velho e vai rejuvenescendo com o tempo. Embora tenha sido baseado num conto de 1921 escrito por F. Scott Fitzgerald, [leia aqui], é bem aquilo que Chico Anísio usou para encerrar o Fantástico dos anos 80 com um texto de Sean Morey, adaptado pelo roteirista Marcos César. Nos spams e blogs espalhados por aí o texto é atribuído a Chaplin ou a Carlin, você já deve ter lido:
“A coisa mais injusta sobre a vida é a maneira como ela termina. Eu acho que o verdadeiro ciclo da vida está todo de trás pra frente. Nós deveríamos morrer primeiro, nos livrar logo disso. Daí viver num asilo, até ser chutado pra fora de lá por estar muito novo. Ganhar um relógio de ouro e ir trabalhar. Então você trabalha 40 anos até ficar novo o bastante pra poder aproveitar sua aposentadoria. Aí você curte tudo, bebe bastante álcool, faz festas e se prepara pra faculdade. Você vai pro colégio, tem várias namoradas, vira criança, não tem nenhuma responsabilidade, se torna um bebezinho de colo, volta pro útero da mãe, passa seus últimos nove meses de vida flutuando… E termina tudo com um ótimo orgasmo!!! Não seria perfeito?”
O texto original é este:
“The most unfair thing about life is the way it ends. I mean, life is tough. It takes up a lot of your time. And what do you get at the end of it? A death. What’s that, a bonus? I think the life cycle is all backwards. You should die first, get it out of the way. Then you live in an old age home. You get kicked out when you’re too young, you get a gold watch, then you got to work. You work forty years until you’re young enough to enjoy your retirement. You do drugs, alcohol, you party, get laid, you get ready for high school. You go to grade school, you become a kid, you play, you have no responsibilities, you become a little baby, you go back into the womb, you spend your last nine months floating in warm liquid . . . and you check out as a gleam in somebody’s eye!”
A pesquisa pelo autor real foi realizada pela Miriam, especialista em achar autorias desconhecidas. Veja aqui, junto com outras descobertas de quem escreveu o que – de verdade. Enfim, o que o Chico leu no Fantástico é este aqui, bem mais lírico:
Eu acho que o ideal seria que as pessoas nascessem velhas e morressem crianças. O homem nasceria com 90 anos, ia ficando mais moço, mais moço, até morrer de infância. Nascendo com 90 anos, você aos 65 se casaria com uma mulher de 59, mas e a recompensa? A cada dia, a cada semana, a cada mês, ela ia ficando mais nova, mais nova, até se transformar numa gata de 20. Entendeu? E, depois do casamento, vocês dois ficariam noivos, seriam namorados, até chegar ao amor infantil, branco e desinteressado… mãos dadas… (no máximo) e apagando das árvores, os corações entrelaçados. Você nasceria rico, aposentado e sábio. Começaria a ganhar cada vez menos… até entrar para a Faculdade para ir desaprendendo tudo e ir ficando mais ingênuo e mais puro. Depois a bicicleta, o velocípede, desaprenderia a andar, esqueceria como engatinhar, o voador, o cercadinho… do cercadinho pro berço, as fraldinhas molhadas, três gotas de Otalgan para a maldita dor de ouvido, o chá de erva doce para a dorzinha de barriga…a mamadeira de água, o peito da mãe e, num dia qualquer, pararia de chorar. Com o tempo correndo para trás, a humanidade regrediria nos séculos até aparecer o último homem: Adão. Último-primeiro quando então, pegando-o na mão, ao invés de soprar sobre ele Deus inspiraria o homem outra vez para dentro de si mesmo.
Ah, claro, o filme é bom sim. Assista.
10
Jan 09
Marry me e outros curtametragens.
Marry Me – Directed by Michelle Lehman
More Tropfest 2008 videos Tropsfest 2009
Mais que em festivais de propaganda e festivais de cinema de longametragem, mais que no Oscar, curtametragens revelam um pouco mais da história do cinema que vamos assistir no futuro. As linhas de influência estética que vão tomando forma e lugar. Tendências em soluções de edição, dramaturgia, humor e, até, códigos morais. Olha o exemplo de quem venceu o Tropfest. O vídeo acima é uma amostra do ultra feminismo envolvido pelo absolutamente clássico feminino. Parece uma observação muito séria. Mas é o óbvio humano contado de um jeito muito bacana. Pode se emocionar que é natural.
PS.: Sim, eu também tive uma BMX na infância. Na época a gente chamava de Bicicross. Essa aí debaixo é uma Monark Tigrão, igual a minha. O selim original vinha com uma capa imitando pele de tigre. Anos 70. Outros tempos.

11
Jan 09
Michiko e Hatchin. O Brasil lá fora e o imaginário coletivo.
Michiko to Hatchin é uma série anime – pra adultos cosmopolitas – ambientada em um cenário “latino-americano”, leia-se, Brasil. Anime, pra quem estiver voando, é um desenho animado falado em japonês. E se tentou imaginar, não precisa, assista e veja uma salada bem feita, temperada com um sabor pra lá de diferente do que estamos acostumados. O mais legal é conhecer esse olhar estrangeiro admirado pela sensualidade tupiniquim, essa mistura de arquétipos colocados numa cesta só, um pouco de cada, Carmen Miranda, Garota do Ipanema, Gata Borralheira, Carnaval, Kill Bill, Cidade de Deus, Tubaína…
Michiko é uma diva sexy e mulata, cheia de vontade própria e que escapa de uma prisão de segurança máxima. Hatchin é uma fugitiva da casa de seus cruéis e extremamente religiosos pais adotivos. Elas se juntam numa jornada de fuga por estradas imaginárias do Brasil que as leva à lugares inspirados nas cidades brasileiras de: Olinda, Recife, Barreiras, São Luis e Rio de Janeiro.
Legendas disponíveis no legendas.tv numa parceria da família UNITED4EVER e do |Spiido| Fansub. Torrents
“Aqui, cabe um rápido parênteses: quando eu ainda trabalhava com roteiros e discutia com leitores, editores, fãs e afins sobre mangás brasileiros, sempre percebi um grande preconceito com relação ao próprio país, como se os temas, conceitos, personagens e ritmos do país não pudessem gerar uma história boa o ’suficiente’ para ser um anime. E o que temos em Michiko to Hatchin? Exato: Japoneses pegaram tudo o que essa gente dizia que não era legal, e criaram uma série que promete fazer sucesso pelo mundo (basta ver as obras anteriores do estúdio Manglobe pra ter uma idéia da qualidade técnica dos animes que eles criam). Um tapão na cara desses fãs preconceituosos.”
Falou e disse:








