Depois de tudo, fica o marco histórico de uma série de TV que ultrapassa a TV e se torna uma série multimídia. Uma série que abre espaço para outras produções épicas de igual porte. Ganha o mundo da arte e do entrenimento. Flashbacks, flashforwards, sideways. Lost virou mito e terminou sua odisséia como todo mito termina, com uma lição de moral heróica no limite, a vida merece ser vivida a ponto de morrer ao lado de quem você escolheu. Em vez de ETs, teorias quânticas ou conspirações, venceu o sobrenatural em forma de dramalhão humano enfrentando seu maior medo, a morte mitificada como vida além da vida. O contraponto é que um avião caiu em uma ilha com pessoas escolhidas para morrer juntas, o “fato” que ficou. Acho que os fãs ainda podem se surpreender com mais novidades do Projeto Dharma qualquer dias desses.
Em tempos em que poucas coisas me impressionam, Logorama foi uma surpresa sem medida. Uma cidade feita de logotipos que afunda em si mesma durante um desastre estilo 2012. Triste destino da sociedade de consumo. Qual a lição de moral pra tirar de um curta-metragem sem outras pretensões que denunciar nossos valores distraídos? Levou o Oscar 2010, e eu ainda havia pensado que como sua mensagem seria incompreensível para alguns, dificilmente iria levar. Mais detalhes aqui.
Além da crítica à sociedade de consumo, o curta Ilha das Flores, realizado em 1989, representa também um marco de linguagem cinematográfica, inaugurando um estilo de narração e encadeamento de imagens que faz escola até hoje. A base deste estilo é justamente uma das novidades da época, nos primeiros anos do que um dia viria a ser a internet que conhecemos, ohipertexto, o texto cheio de links que mudou a forma de leitura do mundo, substituindo a leitura linear pela leitura interrompida, fracionada, link por link de referência. Você com menos de 20 anos de idade consegue imaginar que um dia toda a compreensão do universo já foi linear e analógica, isto é, sequencial? Era preciso terminar uma coisa antes de começar outra. Todo o conflito do sistema educacional atual vem daí. Hoje o mundo é randômico, estocástico, palavrinhas feias mas expressivas. Ok, a linguagem que usamos para representar o mundo “evoluiu”, mas e o mundo?
A Ilha das Flores ainda existe…
Como objetivo de quantificar os impactos causados pelos moradores da Ilha das Flores (Porto Alegre, RS), aplicou-se a referida matriz em uma propriedade da Ilha para determinar a viabilidade da permanência destes moradores no local. Os resultados permitiram concluir que o empreendimento é viável, desde que sejam tomadas as devidas medidas compensatórias e mitigadoras, para que fique de acordo com as exigências ambientais.
Com certeza Pink e o Cérebro não estão por trás da conspiração para dominar o mundo. Mas não dá pra deixar de comparar a dupla Lord Monckton e Al Gore como arquiinimigos tradicionais da literatura, do cinema e dos quadrinhos. De repente, a vida imita a arte e assistimos de camarote o embate entre o super herói e o super vilão. E, como é normal, alguns torcem pelo vilão e outros torcem pelo herói. O difícil, pra muita gente, é decidir quem seja quem na história do aquecimento global. Pelo meu ponto de vista, que não precisa ser o seu automaticamente, Lord Monckton é quem faz o papel de herói e Al Gore o papel de vilão, mesmo que “bem” intencionado. Compare com Superman x Luthor, Batman x Coringa, Neo x Agente Smith, Sherlock Holmes x Moriart, Homem Aranha x Rei do Crime, Cristo x Anticristo, Direita x Esquerda e mais uma dezena de equivalências ao gosto de cada um.
Ambos já receberam um Prêmio Nobel e estão razoavelmente nivelados, enquanto Lord Monckton é um inglês tradicional, zoiudo, simpático, ex-conselheiro da primeira ministra britânica, inventor de quebra-cabeças e que gosta de fazer piadas estilo Monty Phyton, Al Gore é um galã norteamericano alto, popozudo, sizudo, ex-vice presidente. Visualmente, Lord perde do Al. Nenhum deles é cientista.
A grande diferença é que o primeiro especula e desconfia, o segundo acredita e apoia. Lord Monckton diz que a terra é redonda e não tem perigo navegar no oceano, Al Gore retruca que além dos monstros marinhos a terra é chata e termina num abismo. A briga real está entre a razão e a fé, entre a constatação do fato e a credulidade da opinião arbitrária. E, desde os tempos da patrística medieval, pouca coisa mudou nesse caminho de usar a ciência e a razão para defender decisões políticas. Sejam árabes, comunistas, aliens ou CO2, os cruzados sempre estão dispostos mais à guerra que à conversa.
O que mudou, ainda bem, foi a multiplicação dos canais de comunicação e as ideologias de massificação não têm mais como se sustentar apenas pela vontade ou pela força. E essa mudança é que vai garantir que todos vamos rir de tudo isso um dia.
“We know that greenhouse gasses are heavily implicated as a cause of climate change. And we know that among all greenhouse gasses, the worst by far is the carbon-dioxide that results from fossil-fuel combustion.”
Sir, Lord Monckton says, the first of your two quoted statements requires heavy qualification: the second is scientifically false. The combined effect of the two statements is profoundly misleading. Greenhouse gases keep the world warm enough for plant and animal life to thrive. Without them, the Earth would be an ice-planet all of the time rather than some of the time. The existence of greenhouse gases, whether natural or anthropogenic, retains in the atmosphere some 100Watts per square meter of radiant energy from the Sun (Kiehl & Trenberth, 1997) that would otherwise pass out uninterrupted to space.
Imagine o trabalho que isso deu. Se é que isso pode ser chamado de trabalho no sentido obtuso do termo. Mas se você não consegue imaginar, o chato aqui explica. Você tem uma câmera, um tripé, várias latas de tinta branca, várias latas de tinta preta, pincéis, brochas, rolos e centenas de metros de paredes abandonadas. E o principal de tudo, projeto e persistência. Dias e dias, um atrás do outro, pintando e repintando, corrigindo, refazendo movimentos inteiros, testando, aprendendo e descobrindo ao mesmo tempo. O rebuscado escabroso se torna belo por impressionar à perfeição, criando literalmente um universo à parte. Arte.