Se propaganda é a alma do negócio, a publicidade é o corpo.
Economia, Educação, Filosofia, Publicidade Comments (1)
Libertem o corpo.
Para quem ainda não sabia, vamos explicar de uma vez por todas.
Publicidade não é sinônimo de propaganda. Embora sempre juntas, são diferentes.
Propaganda é um conjunto de ideias, afirmações sobre alguém ou algum produto, conceitos escolhidos para distribuição a muitas pessoas de muitas formas. E uma das formas de distribuir propaganda – a mais conhecida e eficiente – é a publicidade. Ora, a publicidade é uma espécie de prestação de serviços oferecida por veículos de comunicação (TVs, rádios, jornais, blogs etc.) como forma de captação de recursos. Viu a diferença? A principal característica da publicidade é ser paga.
Vamos a um exemplo simples: você gosta muito do automóvel “x” e vive contando vantagens sobre ele, sem receber nada por isso. Sim, você está fazendo propaganda do carro que você admira. Mas se um dia começar a receber dinheiro para falar bem do automóvel “x” e até distribuir folhetos, vai unir o útil ao agradável, mas estará fazendo publicidade. E se der certo, logo vai estar falando bem dos modelos “y” e “z”, se for um bom negócio.
Outro exemplo, não tão simples: a propaganda partidária no Brasil é livre, afinal vivemos em uma democracia e grupos políticos podem compartilhar as ideias que quiserem, como quiserem. Entretanto, embora exista livre manifestação de ideologias políticas, de propaganda mesmo, nossa publicidade durante as eleições é controlada. O tempo de rádio e televisão é dividido entre os candidatos, tentando conciliar e equilibrar interesses econômicos.
E, além disso, nas últimas eleições, convivemos com restrições a outras formas de publicidade eleitoral. Outdoors, pixações, sites na internet, comícios musicais e camisetas foram todos proibidos. Trata-se de uma censura indireta, travestida de justiça distributiva.
A velha história de que “podem acorrentar meu corpo, cortar a língua, mas a minha mente continua livre” é balela. Ideias sem voz são pensamentos mudos. Toda e qualquer restrição à publicidade ou veiculação pública, seja legislativa ou econômica, prejudica a propaganda, a distribuição da ideias. Isso inclui os intervalos comerciais, os trinta segundos, os classificados impressos, a formatação em geral daquilo que conhecemos como “mídia”. A publicidade atual ainda está presa a padrões legislativos do século passado, normas e tabelas admitidas por conveniência e status quo, pesquisas anacrônicas que ainda dividem populações em termos de classes sociais do século XIX, preços condicionados a quantidades.
Enfim, o que você vai fazer a respeito?
Começar a pensar seriamente no assunto já é um bom começo.
kntz @ November 19, 2008






Pode ser que você não tenha entendido o “x” da questão. Estou apenas cutucando a padronização comercial universal da veiculação publicitária. Inclusive a necessidade da separação entre “informação” ou “notícia” do “informe publicitário”, da necessidade de colocar fronteiras entre a notícia e a informação de venda. Isso permite ao meio de comunicação ser imparcial e o produto anunciado, também. Desvinculando o conteúdo de algumas mensagens de outras mensagens em um mesmo meio. Essa divisão não é natural ou politicamente correta, é apenas simulacro que permite a manipulacão da informação em geral. O caso não é impedir que essa separação exista, o caso é permitir que ela não seja obrigatória. Uma situação a ser pensada, talvez estimulada comercialmente.