Uma mesa quadrada redondamente enganada?
Autoajuda, Economia, Política, Publicidade Comments (2)
Mesa Quadrada é um especial de debates produzido pelo site ScripTease. Uma bela iniciativa de reunir pontos de vista para remexer o caldo do mercado publicitário de Uberlândia, a capital do Triângulo, aquele novo estado da federação ainda colado a Minas Gerais, por enquanto. A última edição deu espaço a estagiários e funcionários de agências pra discutir o ambiente salarial a que estão submetidos. Rendeu muita conversa e deve render mais ainda. Abaixo, o meu comentário ao programa pra animar que outros comentem também sem medo de perder empregos.
Uai, esqueceram de me chamar pra participar. Eu não ia cobrar cachê, só passagem e estadia mas, tudo bem, mando o recado por escrito mesmo. O problema, caros, não é que modelo de agência em Uberlândia está errado, pois o modelo de agência – enquanto agência – está errado no universo. As agências remuneram mal na mesma medida que lucram mal. O patrão desvaloriza na mesma medida que é desvalorizado. Essa expectativa empresarial tradicional de ganhar via comissão de produção e veiculação é o que está matando o negócio. Daí que o buraco depende da organização das “ex-agências” para revogarem de vez a legislação atual que coloca o cabresto na categoria via veículos de comunicação e licitações públicas. A primeira providência é extinguir o nome e o contexto de “agência” como se fosse apenas uma intermediária, uma atravessadora de comunicação, de mídia. Basta isso, alterar a legislação para uma nova realidade, oficializar o papel atual de gestora de comunicação, abrindo mão de comissões e cobrando por projeto contratado (preto no branco). Sem comissões, a mídia se tornará mais barata e mais concorrida. Sem comissões, será o fim do trabalho especulativo, por risco. A lógica é simples, enquanto o negócio de comunicação publicitária não “valorizar” a sua posição de empresa produtora também não vai valorizar seus colaboradores. A lição do mercado é uma só. Cada vez que uma empresa de comunicação prefere pagar mal ou abrir mão de bons funcionários ela se desvaloriza proporcionalmente no mercado. Sinal de que está investindo errado. Quem acha que estou errado pode zurrar à vontade.
Mas enfim, por opção, toda mão-de-obra é omissa. Se não é omissa, deixa de ser mão-de-obra.
Mas vamos ao tópico do segundo programa. Agência é tudo igual. Tem fachada arrumada, logotipo estiloso, recepção com mostruário, recepcionista simpática, salas, computadores e pessoas. Agência ideal sabe que o único diferencial que pode ter são as pessoas que estão ali. E tratá-las como mão-de-obra, assalariadas e dispensáveis por futilidades serve apenas para nivelar uma agência por baixo. Por isso, na história da propaganda, a fase dourada foi marcada com publicitários ganhando altíssimos salários e campanhas memoráveis. Atualmente, os cursos de publicidade e softwares piratas transformaram as agências de publicidade em quitandas de esquina. Achataram os salários e o respeito pelos profissionais. Por isso, a agência ideal é aquela que não quer ser quitanda, não se vende como quitanda e faz mais do que anúncios e comerciais de TV preocupada com comissões. Ela quer fazer as pessoas brilharem para garantir um trabalho brilhante. Como o Cabral comentou, RH não pode ser um departamento, tem de ser a base de uma agência e significar Respeito Humano…
Uai, não fiquei sabendo desse anúncio da Blues procurando redator um mês, leitor de Kafka e outras leituras adolescentes. Balela isso, né? Eu sou redator completando décadas com diploma de filósofo e ninguém me avisou, se ainda está em tempo é só me chamar. Mas me ofereçam um salário apaixonante, pelo menos. Fiquei sabendo que queriam pagar R$ 1.200,00, confere? Assim não há paixão que não broche.
Uberlândia já é uma cidade que exige um salário mínimo de R$ 3.000,00 pra se viver solteiro com certa dignidade, bancar celular 3G e banda larga em casa, pagando aluguel ou prestação de casa própria, carro em 60x e ainda sobrar algum pra usufruir na praça da alimentação do shopping. Na ponta do lápis quase não dá, façam as contas. Qualquer empresário de agência que pague menos que isso a um funcionário de criação está explorando a pessoa, roubando-lhe a dignidade e matando sua paixão da maneira mais sórdida, a econômica. E como disse o Abelardo, citado no programa, reduzir o papo a benefícios e happyhours é desculpa esfarrapada que beira ao grotesco.
E pra coroar o comentário, uma confissão, só saí de Uberlândia porque não encontrei nem oportunidade e nem salário decentes. E morra em estado defecal aquele que ousar dizer que não sou um apaixonado.
Cabral, os coronéis também são seres humanos e ainda existe a chance de você ou o magrello casarem com umas filhas de alguns, daí tudo se resolverá.
Agora, falando sério, Uberlândia é uma ilha de bem estar social (não só aparente). No tempo que passei aí eu já tinha essa percepção, hoje isso fica mais evidente ainda. É natural, portanto, que os próceres e similares queiram que ela permaneça como tal. Cidade mineira com jeito de interior paulista que se arrependeu de sair na Veja como terra próspera de oportunidades. No caso específico do nicho publicitário, Uberlândia tem uma característica importante para o desenvolvimento pleno do mercado, ela é esteticamente exigente e isso permite que iniciativas como essa do ScripTease vinguem e tenham voz. Daí que o investimento cultural essencial já está sendo feito, manter a cidade limpa, clara, descortinada. O que não já não aconteceu com Goiânia, que perdeu essas características e ficou meio sem identidade.
Ainda insisto que as agências deviam se reunir mais e ocupar o espaço estético cultural que possuem. Deviam aparecer mais não apenas pra si mesmas, mas para o grande público. Umas das antropofagias mais idiotas do mercado publicitário é a de coçar o próprio saco e admirar o próprio umbigo, prêmios, festivais disso e aquilo não agregam mais valor nenhum aos negócios. O que falta, realmente, é que os empresários de propaganda se sintam empresários e menos vassalos ou capangas do coronelismo vigente. Organizem-se gente, façam a APP funcionar politicamente, exijam tabelas de cargos e salários, tabelas de preços, contratos! Contratos! Se a Aciub tem seu lugar, por que a APP não teria?
Acho ridículo como ainda seja possível o mercado funcionar na base da amizade de escola, igreja ou de clube entre clientes e agências. Viram o caso do Porto Cai Na Rede? http://www.umpassinhoafrente.com.br/2009/12/07/retrato-de-como-alguns-polticos-se-acham-acima-da-lei/ Exemplo clássico da imaturidade profissional de alguns. É essa imaturidade profissional que precisa ser eliminada em Uberlândia (não só, claro), e justamente por suas exigências estéticas ela está entre as cidades brasileiras com mais chance de se destacar no quesito “design”, não apenas gráfico, mas o industrial e o arquitetônico. Aí que entram as agências ou gestoras de comunicação.
Por favor, colaborem para que isso aconteça e profissionais como eu possam voltar a ter espaço nesse mercado privilegiado.
Ainda estou em standby por aqui, salários em sampa estão tristes (acabrunhem-se). Façam uma oferta decente e peçam com jeitinho que eu prometo pensar no assunto de voltar praí.
Inté.
kntz @ November 18, 2009






Bom, vou deixar aqui meu comentário para o scriptease.tv, já que o meu parece que não será aprovado pela moderação.
Obrigada pelo espaço Antonio.
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Durante a gravação deste mesa quadrada, serviram petisco de língua de estagiários? Pelo menos dessa vez, quem não teve o que dizer ficou quieto. Ponto! Fabiano, esse mesa quadrada era para estagiários, você não aprendeu no primário, que “Quando um burro fala, o outro abaixa a orelha.” ?! Você me parece uma pessoa muito preocupada com dinheiro e lucro, porque você não para logo de c… anúncios procura algo que você saiba fazer?
Julia, eu não entendi a causa da agressividade mas não vou deletar seu comentário. Afinal, ninguém comenta por aqui nunca, então não vou deletar à toa. Mas já fique avisada que vou retirar se alguém me pedir, ok? Afinal, o blog não pode ser responsável pela briga dos outros.