2 pessoas com idéias próprias.

  1. Sueli September 16, 2009 @ 18:58

    Gostei de seu comentário, pretendo utilizar essa linha de raciocínio em uma apresentação sobre influências da Tecnologia na cultura. Espero que dê certo.
    Valeu.

  2. kntz September 17, 2009 @ 19:28

    Dá uma lida no “Dialética de Esclarecimento” antes. De repente, vc é platonista e pode concordar com a temática frankfurtiana. E não se trata de certo ou errado, mas de posicionamento em relação ao mundo, ter um visão mais dualista (bem x mal) ou uma visão mais monista (relativista, depende etc.).

Os novos modos de produção darão fim à indústria cultural?

Filosofia, Literatura Comments (2)

Kulturindustrie
Pra você pescar o sentido do vídeo, vale uma trip filosófica. Nos anos vinte do século passado, alguns intelectuais fundaram um Instituto de Pesquisas Sociais que entrou pra história conhecido como a Escola de Frankfurt, a qual se tornou a fonte de um método, ou estilo, filosófico reconhecido como Teoria Crítica. Crítica no sentido filosófico não significa “criticar, falar mal”, significa tentar racionalmente identificar pontos críticos de tensão, no caso, entre a prática e a teoria, entre o fazer e o pensar sobre o fazer tendo como influência o marxismo, o sistema de pensamento que colocou em evidência que o conhecimento não era algo separado do humano e descoberto por ele, mas que era produzido pelo humano segundo suas limitações e interesses. A consequência disso é entender a sociedade humana em constante mutação e não resultado ou em direção de algo predeterminado, pronto e acabado. Nenhuma novidade, mas o discurso serviu para os grupos revolucionários se organizassem para mudar o mundo, criando um modelo social que seria melhor que o atual,ou seja, o comunismo para alguns, e o socialismo para outros. Então, pouco antes da segunda guerra mundial, por causa de Hitler (um nacional-socialista anticomunista que achava que  a culpa toda era só dos judeus), os responsáveis pela Escola de Frankfurt (judeus) tiveram de fugir da alemanha e acabaram nos Estados Unidos, onde escreveram a maior parte de sua obras.

O segmento sobre a “indústria cultural” mostra a regressão do esclarecimento à ideologia, que encontra no cinema e no rádio sua expressão mais influente. O esclarecimento consiste aí, sobretudo, no cálculo da eficácia e na técnica de produção e difusão. Em conformidade com seu verdadeiro conteúdo, a ideologia se esgota na idolatria daquilo que existe e do poder pelo qual a técnica é controlada. No tratamento dessa contradição, a indústria cultural é levada mais a sério do que gostaria. Mas como a invocação de seu próprio carácter comercial, de sua profissão de uma verdade atenuada, há muito se tornou uma evasiva com a qual ela tenta furtar-se à responsabilidade pela mentira que difunde, nossa análise atém-se à pretensão, objectivamente inerente aos produtos, de serem obras estéticas e, por isso mesmo, uma configuração da verdade. Ela revela, na nulidade dessa pretensão, o carácter maligno do social. O segmento sobre a indústria cultural é ainda mais fragmentário do que os outros.

O trecho acima é de uma dessas obras, o livro de cabeceira de muita gente bem intencionada, A Dialética do Esclarecimento, que a partir do tema indústria cultural fazia uma crítica aos meios de comunicação de massa que se tornavam cada vez mais mundiais e comuns como a escola, o cinema, o rádio, os discos, jornais de celebridades e livros de bolso. Para os frankfurtianos  ou teóricos críticos, era preciso explicar como a dominação ocorria, ou seja, por que alguns mandavam e outros obedeciam, o que acontecia com o mundo (afinal, a segunda guerra mundial estava no auge). Ora, o que acontecia e acontece ainda hoje, com ou sem guerra, era que alguns grupos sempre determinavam o que outros grupos faziam, comiam, vestiam, ouviam, gostavam, queriam, desejavam. Tudo através das tecnologias de comunicação de massa. Tudo muito interessante, pode ler no livro. Mas fica a questão de que mais do que apenas neomarxistas os frankfurtianos seriam também platonistas, no sentido de realizarem a crítica social segundo um modelo idealístico de cultura desejável e não de uma perspectiva mais real ou pragmática. Daí que o vídeo acima me intriga por reproduzir o processo de dominação como processo de estupidificação, bem ao estilo frankfurtiano, o que me lembrou alguns vídeos antigos de propaganda. Achei engraçado, mas anacrônico. Será que realmente ainda estamos tão subordinados à indústria cultural, como se ela fosse algo unívoco? Afinal, ela existe ainda enquanto tal ou apenas sobrevive do passado?

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kntz @ July 6, 2009

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