A vida ao contrário e a perfeita Cate Blanchett.
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O que mais me chamou à atenção no filme The Curious Case of Benjamin Button foi uma atriz de quarenta anos fazer o papel de uma jovem com 20 anos. Por mais maquiagem, dublês de corpo e AfterEffects que tenham usado, fiquei impressionado com Cate Blanchett. A história é a do trailer, Benjamin nasce velho e vai rejuvenescendo com o tempo. Embora tenha sido baseado num conto de 1921 escrito por F. Scott Fitzgerald, [leia aqui], é bem aquilo que Chico Anísio usou para encerrar o Fantástico dos anos 80 com um texto de Sean Morey, adaptado pelo roteirista Marcos César. Nos spams e blogs espalhados por aí o texto é atribuído a Chaplin ou a Carlin, você já deve ter lido:
“A coisa mais injusta sobre a vida é a maneira como ela termina. Eu acho que o verdadeiro ciclo da vida está todo de trás pra frente. Nós deveríamos morrer primeiro, nos livrar logo disso. Daí viver num asilo, até ser chutado pra fora de lá por estar muito novo. Ganhar um relógio de ouro e ir trabalhar. Então você trabalha 40 anos até ficar novo o bastante pra poder aproveitar sua aposentadoria. Aí você curte tudo, bebe bastante álcool, faz festas e se prepara pra faculdade. Você vai pro colégio, tem várias namoradas, vira criança, não tem nenhuma responsabilidade, se torna um bebezinho de colo, volta pro útero da mãe, passa seus últimos nove meses de vida flutuando… E termina tudo com um ótimo orgasmo!!! Não seria perfeito?”
O texto original é este:
“The most unfair thing about life is the way it ends. I mean, life is tough. It takes up a lot of your time. And what do you get at the end of it? A death. What’s that, a bonus? I think the life cycle is all backwards. You should die first, get it out of the way. Then you live in an old age home. You get kicked out when you’re too young, you get a gold watch, then you got to work. You work forty years until you’re young enough to enjoy your retirement. You do drugs, alcohol, you party, get laid, you get ready for high school. You go to grade school, you become a kid, you play, you have no responsibilities, you become a little baby, you go back into the womb, you spend your last nine months floating in warm liquid . . . and you check out as a gleam in somebody’s eye!”
A pesquisa pelo autor real foi realizada pela Miriam, especialista em achar autorias desconhecidas. Veja aqui, junto com outras descobertas de quem escreveu o que – de verdade. Enfim, o que o Chico leu no Fantástico é este aqui, bem mais lírico:
Eu acho que o ideal seria que as pessoas nascessem velhas e morressem crianças. O homem nasceria com 90 anos, ia ficando mais moço, mais moço, até morrer de infância. Nascendo com 90 anos, você aos 65 se casaria com uma mulher de 59, mas e a recompensa? A cada dia, a cada semana, a cada mês, ela ia ficando mais nova, mais nova, até se transformar numa gata de 20. Entendeu? E, depois do casamento, vocês dois ficariam noivos, seriam namorados, até chegar ao amor infantil, branco e desinteressado… mãos dadas… (no máximo) e apagando das árvores, os corações entrelaçados. Você nasceria rico, aposentado e sábio. Começaria a ganhar cada vez menos… até entrar para a Faculdade para ir desaprendendo tudo e ir ficando mais ingênuo e mais puro. Depois a bicicleta, o velocípede, desaprenderia a andar, esqueceria como engatinhar, o voador, o cercadinho… do cercadinho pro berço, as fraldinhas molhadas, três gotas de Otalgan para a maldita dor de ouvido, o chá de erva doce para a dorzinha de barriga…a mamadeira de água, o peito da mãe e, num dia qualquer, pararia de chorar. Com o tempo correndo para trás, a humanidade regrediria nos séculos até aparecer o último homem: Adão. Último-primeiro quando então, pegando-o na mão, ao invés de soprar sobre ele Deus inspiraria o homem outra vez para dentro de si mesmo.
Ah, claro, o filme é bom sim. Assista.
kntz @ January 3, 2009






fiquei muito feliz estava procurando este poema recitado pelo chico e encontrei no seu site grato